Goiamum Audiovisual

Dezembro 10, 2008

Desde a semana passa está rolando na cidade o Goiamum Audiovisual, um evento voltado para a sétima arte e para a sua popularização. Além de exibições de filmes, tem também oficinas e mesas redondas com pessoas envolvidas diretamente com a produção cinematográfica no Estado e no Nordeste. Em sua segunda edição, o Goiamum, contou com o apoio da Prefeitura do Natal e está inserido no projeto cultural “Natal em Natal”, as atividades se extendem nos períodos da manhã, tarde e noite.

Mais informações:

http://www.goiamumaudiovisual.org.br/

Dicas de filme

Novembro 28, 2008

No Country for a Old Man (Onde os Fracos Não Têm Vez)

No Country for a Old Man

Vencedor do oscar de melhor filme em 2007, é uma bom opção para sexta à noite, pois é intrigante, instigante e tem uma pequena dose de “horrorshow”. Tenho costume de assitir um mesmo  filme duas ou mais vezes e essa semana tive a oportunidade de revê-lo, o irmãos Coen acertaram em cheio, mereceram as 4 estatuetas. A ótima atuação de Javier Bardem, como um assassino em série, é um dos pontos alto do filme. Recomendo.

Ta’m e Guilass (Gosto de Cereja)

Taste of Cherry

Domingo passado, para minha surpresa, este filme estava sendo exibido no canal Futura. É uma produção iraniana de 1997 e eu já tinha assistido duas vezes, mas mesmo pegando um pouco antes da metade, acabei vendo até o final, é um longa que consegue prender a atenção do espectador. Há quem diga ser uma verdadeira obra-prima do cinema iraniano, mesmo eu não conhecendo muita coisa daquele lugar, acredito que este rótulo já é um grande motivo para você ir atrás e assistir. Recomendo.

Mais curtas-metragens

Novembro 13, 2008

Nos dias 10 e 11 desse mês de novembro foi realizado o 4º Curtacom, festival de curtas-metragens organizado pela base de pesquisa COMÍDIA do curso de Comunicação Social da UFRN. O evento aconteceu no auditório da Casa da Indústria e contou com a participação de curtas produzidos por alunos de várias faculdades de todo o país. O festival foi dividido nas categorias: animação, ficção, documentário, experimental e vídeo-clipe. Teve ainda o voto do júri popular para o melhor vídeo de todos os que foram exibidos e uma premiação para a melhor fotografia da mostra fotográfica, que se realizou no salão ao lado do auditório.

O Curtacom desse ano ficou marcado, positivamente, pela “invasão” das faculdades de outros estados e negativamente pela fraca presença dos vídeos locais.  Outro fator negativo foi a pouca quantidade de pessoas para prestigar o evento, ano passado, pelo menos, a sala esteve perto de ficar cheia nos dois dias. Os curtas exibidos esse ano mostraram que aconteceu uma evolução, pequena, mas notável. Boa parte da moçada ficou mais atenta a alguns detalhes e pararam de tratar seus trabalhos com amadorismo, em contrapartida, ainda observei essa mácula em alguns poucos vídeos locais e também de outros estados. Falo isso porque sei que, em anos anteriores, foi bem pior.

Concorri no evento na categoria video-clipe, mas não obtive êxito, visto que, realmente, os outros vídeos passaram por uma produção mais apurada e um excelente apoio técnico, mas sinceramente, nada tão espetaculoso, apenas bons vídeos. Mesmo assim esses fatores me instigaram a querer produzir mais e com mais qualidade, aliás, esse foi o sentimento que tive no fim do primeiro e do segundo dia de festival.

Espero que as pessoas envolvidas com cinema aqui da cidade tenham tomado consciência que esse festival é mais uma forma de fomentar a produção cinematográfica da cidade e que isso sirva de mais um incentivo para produzir . Infelizmente tivemos poucos vencedores locais, porém, acredito que o grande mérito está no reconhecimento de que estamos bem, mas que certamente podemos fazer algo melhor para mostrar tanto aqui como em qualquer outro lugar do país.

Notinha

Outubro 28, 2008

Fui informando ontem, na mostra Nordeste de curtas do Festival Curta Natal, que Deserto Feliz não vem mais. Aconteceu algum problema que impediu a vinda do pessoal de Pernambuco, muito triste isso, estava “superafim” de ver novamente o filme de Paulo Caldas, mas é isso, um dia eu conseguirei uma cópia dele pra mim. E hoje tem mais festival, ontem tava bonito de ver, sala lotada e bons curtas.

E os curtas

Outubro 27, 2008

Tá rolando o Festival Curta Natal, no Moviecom e a entrada é franca. Eu estava um pouco por fora de toda programação, mas eu fui olhar direitinho hoje e vi que está rolando uma mostra nordeste. Fiquei mais empolgado em saber que terça vai passar Deserto Feliz, filme de Paulo Caldas que ganhou 6 prêmios no Festival em Gramados. Há dois dias eu havia comentado que tinha assistido sua estréia no Shopping Tacaruna em Recife, e agora vou ter a oportunidade de assistir pela segunda vez, coisa que adoro fazer. Na terça farei alguns comentários a respeito do filme.

Não pude prestigiar o evento no sábado e nem no domingo, mas nessa semana farei o possível para dar uma conferida no que o pessoal anda fazendo. Sexta-feira eu fui e gostei do que vi, claro que sempre tem um ou dois curtas que são fracos, mas no geral foi muito bom. Perdi, no sábado, a oportunidade de ver na telona o clipe que eu e meus amigos fizemos para uma banda local, mas tudo bem, não é o fim do mundo. Só quero mesmo deixar a dica para quem estiver afim de curtir novas ondas e novas tendências na sétima arte, o Curta Natal é uma ótima opção.

Bom brasileiro

Outubro 23, 2008

Não é nada de patriotismo, mas estou numa onda de (re)ver filmes nacionais. Essa vontade surgiu do nada e talvez me leve a ter alguma intenção no futuro, mas, por hora, tenho apenas a curiosidade de saber o que anda(va) passando na cabeça dos cineastas brasileiros. No meu trabalho tem uma porção de filmes brazucas, tratei logo de comprar uma pilha de dvd’s virgens para fazer a cópia e guardar no meu acervo de filmes piratas.

Assisti o filme Árido Movie, de Lírio Ferreira, que conta a história de Jonas, jornalista e “homem do tempo” de uma rede de televisão em São Paulo, que nasceu no interior de Pernambuco, numa remota cidade, mas que logo cedo foi para Recife com sua mãe deixando o pai e o resto da família para trás. Tempos depois, com a morte do seu pai, Jonas é obrigado a voltar para seu lugar de origem, pois sua vó só faria o enterro quando ele chegasse para se despedir. A partir daí a trama se desenrola e coloca Jonas na complicada situação de ter a sensação de perder algo que nunca teve e de participar de uma história a qual nunca teve um papel. Lírio Ferreira, o diretor, teve boas sacadas, contou com a participação de alguns atores tarimbados e, como é de praxe no novo cinema pernambucano, mostrou uma excelente fotografia e uma montagem supimpa. Delegou Otto para a trilha sonora e o cara não decepcionou. Para quem se interessa por produção cinematográfica nacional, este é um bom filme, recomendo.

Há quem não goste de cinema nacional, mas temos que concordar que aos poucos ele vem ganhando força dentro do país e que a quantidade é equiparável com a qualidade. Os incentivos para as produções brasileiras vem aumentando e as oportunidades deles serem exibidos nos cinemas de todo o país vem crescendo também. Mês passado, em Recife, assisti a estréia do filme Deserto Feliz, uma produção pernambucana, com direção de Paulo Caldas, em pleno Shopping Tacaruna, isso é fantástico e nos faz acreditar que a retomada do cinema brasileiro está chegando. Vamos torcer também que Natal e outras cidades também entrem de vez nessa “new wave”, pois é melhor para o Brasil e serve de estímulo para novos cineastas brazucas. Prometo depois escrever mais alguma coisas sobre o cinema nacional e abordar as produções aqui do Nordeste, esse post merece uma pesquisa mais detalhada e que eu arranje tempo para assistir mais e mais filmes tupiniquins.

Após assistir pela terceira vez Baixio das Bestas, eu acredito que Cláudio Assis poderia consultar um psicólogo. Como em Amarelo Manga, seu primeiro longa-metragem, podemos perceber que as idéias de Assis conspiram para o fim do mundo e que os homens estão se destruindo moralmente, ou seja, o caos. Não que ele esteja errado em pensar assim, mas o seu segundo longa aborda o ser humano na mais podre e destrutiva face, e que, sinceramente, causa apenas impacto visual. Caso a intenção dele tenha sido alertar as pessoas quanto a banalização do homem, infelizmente, nesse filme, ele não logrou êxito. Ei Cláudio, que mundo é esse que tu vive ein?

Baixio das Bestas tem uma fotografia impecável, a direção ficou por conta de Walter Carvalho que mostrou todo seu talento em enquadramentos ousados e imagens supersaturadas, conta também com a benevolência de atores consagrados como Matheus Nachtergaele, Caio Blat e Dira Paes, que fazem cenas de nu frontal sem nenhuma cerimônia. Vale salientar que algumas dessas cenas, que envolvem esses atores, são escatológicas e seriam tranquilamente dispensáveis, mas Cláudio Assis quis, e assim ele fez. Muitas cenas chocantes e nada reflexivo. Ficou o choque pelo choque.

A menina Auxiliadora (Mariah Teixeira) é explorada sexualmente pelo seu pai/avô Heitor (Fenando Teixeira) um velho chato, que prega o respeito e a moral, mas que ganha dinheiro exibindo a moça despída para caminhoneiros no posto da cidade. Cícero (Caio Blat), filho mimado da prefeita, estuda no Recife, mas passa uns tempos no interior se divertindo, bebendo, fumando e se envolvendo em esbórnias  com seu amigo Everardo (Matheus Nachtergaele) e a prostituta Bela (Dira Paes). Para dar uma quebrada no clima pesado do filme, algumas cenas mostram o duro trabalho dos cortadores de cana e o envolvimento deles com as sambadas, afinal, o filme foi rodado na Zona da Mata, mas esses trechos acabam que sobrepujados pela perversidade e maldade humana que os personagens principais protagonizam.

Em um momento do filme, o personagem de Matheus Nachtergaele diz: “O bom do cinema é que tu pode fazer o que tu quer”. Para mim soa como uma licença poética de Cláudio Assis, uma espécia de auto-permissão para as cenas chocantes do filme, que cá pra nós, são muitas.

Por fim, após algumas conferidas, eu chego a conclusão que Baixio das Bestas é um filme insoso, que tem cenas chocantes, mas que boa parte delas não dizem nada ou não levam a nada, é como escrevi parágrafos acima, é o choque pelo choque e nada mais além disso. Mesmo com tudo isso, não é uma produção descartável. Ponto para a fotografia, mais uma vez, e para alguns momentos de comicidade com palavrões e gírias regionais, mas o roteiro como um todo é fraco. Para ser bondoso, posso dizer que é um filme que, no máximo, intriga pelo choque, pois com o roteiro passa longe disso. E digo mais, Cláudio Assis o mundo é bom cara, acredite.